• Saviitri Ananda

LUTO


O luto é uma experiência angustiante mas comum. Mais cedo ou mais tarde, a maioria de nós vai sofrer a "perda" de alguém próximo. No entanto, no nosso dia-a-dia falamos e pensamos muito pouco acerca da morte, talvez porque hoje em dia nos deparamos com ela com menos frequência do que os nossos avós. Para eles, a morte de um irmão ou irmã, amigo ou familiar era uma experiência comum nos seus primeiros anos de vida ou durante a sua adolescência. Para nós, estas perdas acontecem geralmente mais tarde na nossa vida. Talvez por isso não tenhamos a hipótese de aprender a lidar com o luto – como nos faz sentir, o que devemos fazer, o que é "normal" acontecer – e de aceitá-lo. O processo de luto dá-se sempre que há uma perda, mas principalmente depois da morte de alguém que amamos. Não se trata de um único sentimento, mas de um conjunto de sentimentos que necessitam de algum tempo para ser resolvidos e que não devem ser apressados. Apesar de sermos todos diferentes, a forma como experienciamos o luto é muito semelhante na maior parte de nós. Nas horas e dias seguintes à morte desse outro importante, a maioria das pessoas passa por uma fase de descrença, ficando totalmente "atordoadas", como se não pudessem acreditar no acontecido. Mesmo quando a morte era esperada, este sentimento pode surgir. Este sentimento de torpor ou dormência emocional pode ajudar a levar a cabo todos aqueles procedimentos burocráticos inerentes a este processo, mas pode tornar-se num problema se continuar a subsistir. Ver o corpo da pessoa falecida pode, para alguns, ser um modo importante de começar a ultrapassar tudo isto. Da mesma forma, para algumas pessoas, o velório, o enterro ou a cremação podem ser situações onde a realidade começa a ser encarada. Apesar de ser difícil lidar com estas situações, o fato é que elas constituem um modo de dizer adeus àqueles que amamos. Na altura, estes acontecimentos podem parecer demasiado dolorosos para que sejam vividos, mas o fato é que fugir aos mesmos pode levar a um arrependimento tardio. Depois desta fase de "torpor", poderá surgir um período de grande agitação, ansiedade e ânsia pelo que foi "perdido". Surge o sentimento de querer encontrar essa pessoa seja de que maneira for, mesmo que tal seja impossível. Por isto, a pessoa começa a não conseguir relaxar ou concentrar-se e o sono pode ser perturbado. Os sonhos que surgem nesta altura podem ser muito confusos e algumas pessoas chegam mesmo a "ver" quem perderam, na rua, em casa e em todo e qualquer lado que os faça lembrar a primeira. Outro sentimento comum é o sentimento de culpa. Nesta altura, começam a pensar em tudo aquilo que podiam ter feito ou dito e que já não tem retorno ou mesmo naquilo que podiam ter feito para impedir essa morte. Naturalmente que a morte é geralmente um acontecimento que está para além do controlo seja de quem for e a pessoa em luto deve ser recordada disto mesmo. A culpa também pode surgir depois de se sentir alívio pela morte de alguém que nos era muito querido mas que sabíamos estar a sofrer. Este sentimento é normal, compreensível e muito comum. O estado de agitação referido atrás é geralmente mais forte nas duas semanas que se seguem à morte do ente querido, mas segue-se rapidamente de períodos de grande tristeza e depressão, retiro e silêncio. Esta mudança súbita de emoções pode deixar amigos e familiares confusos, mas faz parte do processo natural de luto. E apesar da agitação começar a cessar, os períodos de depressão tornam-se mais frequentes e atingem o seu máximo, passadas quatro a seis semanas do sucedido.


Crises de choro e angústia intensa podem surgir a qualquer momento, sendo habitualmente deflagradas por pessoas, objetos ou acontecimentos que fazem lembrar quem se perdeu. Algumas pessoas podem não conseguir perceber estas crises ou ficar sem saber o que fazer quando isto sucede. Poderá haver uma tendência da parte da pessoa em luto para evitar as outras pessoas, mas isto pode trazer problemas futuros e, por isso, será melhor que volte à sua "vida normal" o mais rapidamente possível.

Durante este período, pode parecer estranho aos outros que a pessoa em luto passe muito tempo sentada, sem fazer nada, mas o fato é que ela estará a pensar em quem perdeu, recordando constantemente os bons e os maus períodos que passaram juntos. Esta é uma fase silenciosa mas essencial à resolução do luto. À medida que o tempo passa, a angústia intensa resultante do luto começa a desaparecer. A depressão atenua-se e será possível finalmente começar a pensar noutros assuntos e até em projetos para o futuro. No entanto, o sentimento de perda nunca desaparecerá por completo. Depois de algum tempo, deve ser possível sentir-se de novo "completo", apesar de faltar sempre uma parte de si que nunca será substituída. As crianças sentem a perda de alguém próximo da mesma forma que os adultos, mesmo que até os quatro anos ainda não assimilem o conceito de morte; é absolutamente certo que também na infância, os sentimentos de angústia e o processo de luto são fortes. Todavia, as crianças têm uma noção de tempo diferente da dos adultos e o processo de luto poderá "passar" muito rapidamente e também elas devem participar no funeral e em todo o processo. Há pessoas que parecem não passar pelo processo de luto, que não choram no funeral, que evitam falar da pessoa que perderam e que voltam à sua vida "normal" rapidamente. Esta é a sua forma normal de lidar com a perda sem consequências negativas, mas outras pessoas poderão, ao contrário, sofrer sintomas físicos e passar por episódios repetidos de depressão nos anos seguintes. Algumas pessoas podem não ter a oportunidade de passar pelo processo de luto da melhor forma, uma vez que têm de continuar a sua vida profissional ou familiar, não tendo tempo para o fazer; há também aquelas que podem iniciar o processo de luto mas permanecer no mesmo, sem o resolver.


Nestes casos, a dor e a angústia por quem se perdeu mantêm-se e podem mesmo passar anos sem que a situação seja realmente resolvida. A pessoa pode continuar a não aceitar que perdeu quem faleceu, mantendo-se na fase de descrença referida atrás ou, por outro lado, só conseguir pensar em tal pessoa, mantendo, por exemplo, o quarto da pessoa falecida intacto e como uma espécie de local de culto. Ocasionalmente a depressão que ocorre com todo e qualquer luto pode agravar-se ao ponto de a pessoa deixar de se alimentar e de pensar em suicidar-se. Em todos estes casos será obviamente necessária ajuda profissional especializada.


Todavia, tudo é uma questão de "crenças". Atualmente, muitas pessoa vivenciam um processo de "afastamento" e não de "perda", porque acreditam que a morte é apenas uma passagem, uma transposição para outro "espaço-tempo". Não "perdemos" nada além do contato presencial, quem "foi", pode estar sempre presente "no coração" e até mesmo energeticamente...afinal...somos seres multidimensionais, infinitos e eternos. Bjos no Coração Namastê! Saviitri Ananda - CRTH-BR0230


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