• Saviitri Ananda

ATMA - MÔNODA


Esse é um conceito muito difícil de ser explicado. A Mônada seria Luz suprema, a Força maior, a Perfeição que buscamos na nossa evolução. Dentro do pouco que eu sei, vejo o conceito como algo semelhante a “atma”. Atma em sânscrito significa sopro vital, alma. Dentro da teosofia a Mônada representa o 7º princípio na constituição setenária do ser humano, ou seja, nosso mais elevado princípio, a Essência Divina, sem forma e indivisível. O Atma é a ideia abstrata do Eu Superior, do Eu Sou que não difere de tudo o que está no Universo, exceto pela autoconsciência. Para a teosofia, cada ser humano possui um espírito individual, um atma, que é um reflexo do “Deus que habita em nós”, da Alma Universal. Dentro da tradição Vedanta “atma” é usado para identificar a alma individual, o Eu verdadeiro.


Algumas citações de Heidegger, nas primeiras páginas de “Ser e Tempo” mencionam: “(...) nós não nos relacionamos apenas com o ente, somos ao mesmo tempo, nós mesmos ente.”; ou ainda: O “Ser” é o conceito “mais universal”, é indefinível, e ao mesmo tempo, é o conceito evidente por si mesmo. A questão e o sentido do ser aparecem, bem como os desafios de angariar um método capaz de pelo menos, apreender a própria questão. Estas dificuldades de análise, apreensão e compreensão dos fenômenos e seus fundamentos, desvelam-se no paradoxo em que surge o ser que: aparecendo se esconde; esclarecendo se obscurece; e compreendido se torna indeterminado. Na verdade caminhamos e buscamos um relacionamento que nós ainda não temos pois se “nós nos relacionamos com o ente, a ele nos reduzimos, nele nos perdemos, por ele somos dominados e possuídos.”


Ainda é muito difícil via palavras e números explicar o que é a Mônada. Ler Heidegger ajuda um pouco. Seu conceito de mônada diz: “(...) mônada é o elemento unificador simplesmente originário que previamente individualiza e separa”, ou seja, corresponde ao cerne que deve ser investigado. Tanto para a filosofia como para a ciência, a mônada é o elemento que garante a existência e a unicidade (princípio de identidade dos indiscerníveis) e seu lugar no cosmos, tendo em vista a identidade e a diferença dos elementos substanciais que compõem o mundo. É certo que todos nós gostaríamos de trilhar a senda que nos conduza à liberação final; mas é preciso muito mais que força de vontade. Nossos Mestres e Guias, mensageiros que vem do alto, sempre tentaram sinalizar com exatidão, o caminho árduo que nos conduz à autêntica e legítima felicidade. Todavia ainda são poucos de nós que nos “aventuramos” em busca de nossa divindade. No Mundo vivem “mestres” de toda espécie, sacerdotes, místicos, videntes, gurus, etc; pessoas que aceitariam qualquer conceito ou opinião, menos que estão perdidas e que seguem a pelo caminho da maldade.


A Mônada é o ser que representa de uma forma viva a totalidade, fazendo parte desta, mas por sua vez, incapaz de hauri-la em sua plenitude. Somente sua condição finita, limitada e possível lhe dá uma ideia do todo, que se fragmenta de forma inevitável pela condição ontológica constituinte dos seres. A Mônada é o ser que representa de uma forma viva a totalidade, fazendo parte desta, mas por sua vez, incapaz de hauri-la em sua plenitude. Somente sua condição finita, limitada e possível lhe dá uma ideia do todo, que se fragmenta de forma inevitável pela condição ontológica constituinte dos seres. Devemos estar cientes de que somos indivíduos a compartilhar do mesmo mundo, porém com impressões capazes de expressarem-se, mas impotentes no tocante a um compartilhamento efetivo entre as partes. Nós só podemos nos doar mediante a nossa capacidade plena de nos organizarmos em nossas partes. Esta ordem respeitada acarreta inevitavelmente na existência. Cada parte nossa, experimenta o mundo à sua maneira, permanecendo isolada e solitária nesta ação inevitável enquanto capazes de nos manterem viventes no mundo; a unidade não é senão, uma capacidade plena de apreender algum aspecto da totalidade de forma ordenada, por vezes distinta e não confusa.


“Se antes pusemos de lado a conexão com a criação, isto ocorreu porque no caso se trata apenas como uma

explicação dogmática. O sentido metafísico, entretanto, que na caracterização da mônada como criada é expresso, é a finitude.” M. Heidegger


Nesse período de grandes transformações, muitas pessoas estão atingindo uma consciência mais elevada e assim, atravessam uma ponte que as direciona para uma nova realidade. Depois de completar o ciclo de existências no mundo físico tridimensional, deixam de se tornar formas físicas humanas para ascenderem a uma dimensão superior e se tornarem corpos de Luz ou submergirem para uma dimensão inferior no reino mineral. A realidade das várias existências que são atribuídas a todo Ser vivente. Na “japamala”, as 108 contas do colar de Buda, vem nos recordar dessa caminhada e dos poderes da Kundalini, a Serpente Ígnea de nossos mágicos poderes, que intenta conseguir nossa auto realização íntima durante o curso das várias existências, que a cada um de nós é atribuída. Dentro desse ciclo de vidas sucessivas, temos inumeráveis oportunidades para a auto realização e devemos nos esforçar para melhorar a cada vida vivida.


Mestre Sananda dizia: “De mil que me buscam, um encontra; de mil que me encontram, um me segue; de mil que me seguem, um é meu.” No Bhagavad-Gita encontramos uma citação bem semelhante: “Entre milhares de homens, talvez um intente chegar à perfeição; entre os que intentam, possivelmente, um atingirá a perfeição; e, entre os perfeitos, quiçá um me conhece perfeitamente”.



Nossa caminhada é no sentido de buscar nossa reintegração com o Divino, em fazer a “reconexão” através da volta ao nosso estado de alma pura, do encontro com a nossa divindade. Com o reingresso a este estado, novamente nos serão atribuídas várias existências que, se não aproveitadas devidamente, nos conduzirão pelo caminho descendente de regresso a Força Criadora. A mônada não é alma em sua essência metafísica, mas dá-se o contrário: alma é uma possível modificação da Mônada. A pulsão não é um acontecer que ocasionalmente também representa; ela é por natureza representadora e a estrutura do próprio acontecer pulsivo se caracteriza pelo abrir dimensões.


Na verdade esse é um assunto difícil de ser abordado com palavras e números, como diz Mestre Seraphis “palavras e números são fontes de mal entendidos”. Costumo frisar em todos os artigos que nosso mais grave problema é a instituição do pensamento cartesiano que nos leva a racionalizar muito e sentir muito pouco Creio que palavras e números são coisas das quais nós humanos precisamos, mas pessoalmente não os acho corretos. Em todo caso, os livros sagrados, seja de que religião forem, se referem ao fato de que a toda Essência, a todo Ser, a toda Alma, são atribuídas sempre milhares de ciclos de manifestação cósmica e àqueles que fracassam, que não sabem aproveitar as inumeráveis oportunidades que estes períodos conferem, ficarão para sempre excluídos da maestria, daquela energia imortal que todos levamos dentro de nós, da Mônada sublime.


A mente não pode reconhecer o que jamais conheceu e por isso urge a necessidade de autoconhecimento; pois o entendimento vai do conhecido ao conhecido, move-se dentro de um círculo vicioso, e sucede que a verdade é o desconhecido de instante em instante. Deve-se refletir que a mente pode aceitar ou recusar o que queira, crer ou duvidar, porém, jamais poderá conhecer o real.


Há que se ter muito cuidado para chegarmos a nossa Mônada, pois mestres, profetas e falsos livros sagrados existem por todo canto através do mundo. Eles circulam por todos os lugares e servem de exemplo e fundamento para a maioria dos cultos religiosos. E em se tratando dos conceitos pregados por esses livros, perguntaria: quem os entende? Não é difícil constatar que o “que está escrito” nem sempre é “bem compreendido”, basta ver quantas “religiões” foram criadas através da interpretação dos quatro evangelhos cristãos. As pessoas só se limitam a crer ou a negar; se houvesse uma plena consciência, do amor crístico pregado nesses livros, com certeza não existiriam tantas religiões ou seitas e que se compreenderia melhor o que é o Amor Incondicional. Na verdade, haveria uma só religião crística, uma religião cósmica e universal, onde todas as pessoas estariam conscientes da necessidade da universalidade e do amor crístico.


A mônada se apresenta como pura possibilidade, capaz de dar conta da infinidade de arranjos que nos compõem no mundo. Quando o ser da mônada se agrega e coloca-se em estado de composição, o ente aparece e mantém-se fundamentado por este pequeno universo que acaba de constituí-lo. A lógica da existência obedece à uma ordem de composição dos elementos agregados e aquilo que, enquanto existentes tiveram a possibilidade de manifestar. Leibniz declara que: “(...) como todo o estado presente de uma substância simples é uma continuação natural do seu estado passado, assim também o presente está prenhe do futuro.”

O tempo está se escoando com uma rapidez que aterra e por isso, precisamos desenvolver nossa Consciência. O descenso das ondas humanas no interior do organismo planetário realiza-se baixando pelas escalas animal e vegetal, até ingressar definitivamente no estado mineral, no próprio centro do planeta Terra. É no próprio centro deste planeta onde milhões de humanoides passam por essa morte da qual se fala no Apocalipse. A destruição do si mesmo, a aniquilação do ego, a dissolução do si mesmo nas regiões submersas, é absolutamente indispensável para a destruição do mal dentro de cada um de nós. Só mediante a morte do ego faz-se possível à liberação final da Essência. Então esta ressurge, sai à superfície planetária, à luz do Sol, para reiniciar um novo processo evolutivo dentro da roda da Vida. Assim, as Mônadas sem maestria, aquelas que não conseguirem ou não quiserem, ficam excluídas de toda escala hierárquica. Quando alguma Mônada, quando alguma centelha divina quer de verdade alcançar o sublime estado de Mônada Mestre, é indubitável que trabalha então a sua Essência, despertando, nesta alma, infinitos anelos de espiritualidade.


Temos toda a energia positiva a nosso dispor e podemos alcançar nosso estado sublime através do autoconhecimento. Devemos trabalhar com afinco e com esse propósito. Trabalhar nossa Essência é exaustivo, cansativo mais muito necessário. O Amor vence todos os obstáculos, principalmente se amamos a nós mesmos. Mestre Sananda pregou “ama ao próximo como a ti mesmo”, e friso mais uma vez: quem não se ama, não pode amar ninguém e nem evoluir. Nossa evolução depende, primeiro e antes de tudo, do amor próprio no sentido de nos perdoarmos, de nos amarmos para que assim, centrados, possamos perdoar e amar a todos.

Bjos no Coração

Abraço na Alma

Namastê!

Saviitri Ananda - CRTH/BR0230









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