• Saviitri Ananda

MESA ANDINA



A mesa andina representa o mundo arquetípico da cosmovisão andina. Existem diferentes tipos de mesa em toda a ameríndia, desde a mesa de pedras e flechas dos huicholes, do México até a sofisticada mesa do Peru marítimo. Em nosso caso a mesa provém de um vocábulo quíchua que significar jogar e nesse espaço sagrado o paco realiza ação lúdica com os devas e com seus próprios arquétipos; assim este humilde espaço provoca o antigo psicodrama de envolver-se com os espíritos ancestrais por fora e com os poderosos arquétipos místicos por dentro.

Os objetos são importantes no altar pessoal, são componentes de um centro de poder onde trabalhamos e plasmamos a energia mágica e mística. Os objetos rituais são como que portais que "enganam", driblam, adormecem os filtros conscientes da mente para que se abra o coração e o espírito. Também são uma representação da nossa cosmovisão pessoal, e afinidade com determinado caminho com o qual trabalhamos. Conforme as tradições Q'eros, Zona de Cuzco, o Paqo, ou sacerdote andino, utiliza o que é chamado de "mesa". É um pequeno pano tecido em cores, um têxtil de lã de lhama ou alpaca, aonde o xamã dispõe seus objetos de poder (pedras de cura, penas, folhas de coca, conchas, punhais, pedras de locais sagrados e até crucifixos, se trabalhar pela linha do sincretismo cristão). Místico e mágico se fundem na busca do ser humano em equilíbrio.




A mesa tem 2 partes: -a masculina e fria, objetos místicos, trabalho conosco mesmo, interno, ou o que trabalhamos: medo, raiva, padrão, etc, fica à direita da mesa e - a feminina e quente, objetos mágicos, de nossa pele para fora, pedras que atraiam a abundância, saúde, amor, dinheiro, fica à esquerda da mesa. O terceiro espaço é o centro, no qual tem que se ter um objeto feminino (como uma concha, uma flor, um ninho, uma casca de noz) e um masculino (um cristal, uma vareta de incenso, um pedaço de madeira ou canela). 

As mesas andinas são de dois lugares específicos, as mesas de Ocongate que estão abençoadas pelo Apu Ausangate e são de cores brilhantes e as famosas mesas de Queros que são de cores mais escuras.As mesas têm história ou não a tem. Na mesa, que é o nosso espaço sagrado, pomos nossos objetos e instrumentos de poder.

Os objetos, os encontramos na Pachamama. Os instrumentos, os construímos nós mesmos. Os objetos podem ser pedras, penas, cascas de árvores, sementes, conchas, etc. Os instrumentos são varinha mágica, graal, pentáculo, facas, etc. É na mesa que são armados os "pagos", oferendas que são compostas geralmente por caramelos, incenso, tabaco, flores, vinho e cerveja.



A principal oferenda ritual chama-se "k'intu" que são três folhas de coca. O conteúdo do pago é fechado em papéis coloridos e varia conforme a energia que queremos trabalhar dedicando-os à Pachamama ou aos Apus (que em quéchua significa "senhores") que são os espíritos das grandes montanhas muito respeitados e invocados nos rituais. Entre os principais cerros estão: Salcantay, Ausangate, Putukusi, Machu Picchu, Huayna Picchu, entre outros. 

As oferendas são "passadas" nas brasas de uma fogueira ou então enterradas. O ato de oferecer é extremamente importante, pois é um ato de reciprocidade (ayni) que é a síntese da cosmovisão andina, do dar e do receber, do nutrir-se e agradecer, uma troca constante com esses espíritos que em um plano sutil atuam conosco para que possamos mover e atuar nos três mundos em sintonia e equilíbrio.

Beijos no Coração

Abraço na Alma

Namastê!

Saviitri Ananda - CRTH/BR0230

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