• Saviitri Ananda

SAMHAIN - A PROMESSA DE RENOVAÇÃO


O Samhain é considerado o mais importante de todos os sabbats, pois marca tanto o fim quanto o início de um novo ano e segundo a tradição celta, nessa noite, o véu entre o nosso mundo e o mundo dos ancestrais se torna mais tênue, nos permitindo a comunicação com aqueles que já partiram. É um dia para nos sintonizarmos com aqueles que já não estão na nossa dimensão.


É uma noite de alegria e festa, pois marca o início de uma nova etapa de vida, de um novo começo e é comemorado com muitas guloseimas e coisas doces. Samhain é uma palavra que significa “sem luz”, porque dentro do xamanismo celta, nessa noite, o Deus morreu e mundo mergulha na escuridão. A Deusa desce ao mundo das sombras em busca do seu amado, que aguarda sua hora de renascer; eles se amam, e, desse amor, a semente da luz espera no Útero da Mãe, para renascer no próximo solstício de inverno como a criança prometida.


Nessa época, os pastores celtas recolhiam o gado e o povo recolhia-se em casa, fugindo dos dias mais frios e da época mais escura do inverno. A data marca o fim do calendário celta. A noite de Samhain se encontra no meio exato entre o ano que se vai e o que vem pela frente, e é portanto uma data atemporal. A Roda continua a girar para sempre. Assim, não há motivo para tristezas, pois aqueles que perdemos nessa vida irão renascer, e, um dia, nos encontraremos novamente, nessa jornada infinita de evolução.



Mas tudo isso você já sabe, Então eu posto para vocês um trecho do meu livro (Contém uma Bruxa), onde descrevo a minha participação num desses festivais de Samhain:


.... Revi encantada e iluminada, a energia protetora de numerosos deuses, muitos dos quais controlavam as estações, propiciando a fertilidade, safras abundantes e fartura de alimentos; presenciei festas sazonais maravilhosas, como Beltane, o festival da primavera, em maio, Lugnasad, em agosto, Oimelc, em fevereiro e Samhain, a festa do ano-novo, no solstício de inverno. O tempo ia e vinha, não era retilínea e, lá encarnando a força de Menerween, aliada aos meus conhecimentos de então, entendia o que Einstein tentou ensinar quando falava nas “dobras de tempo”.


Era tudo como se fosse um papel dobrado muitas vezes, onde você deslizava rapidamente, como acontece em nossos sonhos. Fiquei fascinada com a comemoração do Samhain, uma grande festa dedicada aos espíritos. Na primeira hora de novembro, Samhain, o deus-céu, abria um portal entre o céu e a terra, pôr onde os espíritos passavam para “visitar” os vivos; era o tempo dedicado a lembrar dos mortos e marcava o começo do inverno no hemisfério norte.


Para os habitantes do povoado, a noite tinha caráter assustador, pois as pessoas acreditavam que fantasmas viriam persegui-las e feiticeiras negras poderiam invocar suas bruxarias; temendo esse contato, as pessoas acendiam fogueiras e preparavam muita comida gostosa para oferecer aos espíritos, colocando máscaras para não serem reconhecidas por eles.Os druidas tratavam de desmistificar este temor, mas não se esforçavam muito, porque ele servia como um controle de massa, devido a mentalidade da época não poder entender conceitos de metafísica, física quântica, psicologia ou metalinguagem.


A festa era alegre, apesar do medo, tinha-se latente aquele conceito traduzido num dito popular de hoje: “quem canta os males espanta”; e as canções, e as danças... ah!... as danças... Como dancei, quanta saudade, que alegria... dançava, apesar da reprovação de alguns “colegas”. A música foi ficando mais longe e eu começava a escutar Taliesin, que em tom gutural me dizia: Está na hora de voltar, já viu o que precisava. Aos poucos fui sentindo que meu corpo ganhava peso, forma; quando abri meus olhos, já estava no meu circulo de pedras; perguntava-me se tinha tido um sonho ou feito uma viagem através das dobras do tempo.


Meu lado racional, queria uma explicação mais “lógica” de como tudo isso chegara até meu conhecimento? Deduzi que, arquetipicamente, todos esses “saberes” estavam comigo o tempo todo e foram fluindo á medida da minha necessidade, através de insights que me conduziram a uma leitura específica, uma criação plástica, a composição de um poema, até a esta “viagem”. Não tinha mais dúvidas, eu era Meberween, era uma sacerdotisa celta, uma druida, ou como a maioria das pessoas dizem: uma bruxa ... e a dificuldade em me assumir como tal, provinha de más escolhas durante o percurso realizado até então; se tivesse escutado o meu coração, teria enxergado, muito antes, as minhas habilidades, meus dons e minhas limitações, respeitando, reconhecendo e aceitando-as.


A verdadeira terapia diz respeito a aprendermos abandonar os velhos padrões e voltarmos para as fontes verdadeiramente generosas e que aceitem a nossa generosidade; só quando se aprende a perceber a estrutura arquetípica é que se consegue perceber o que está errado, não é a necessidade ou o impulso para a vida e sim o fato de esse impulso estar dirigido para o objeto errado. Não há ajuda para os que se desviam das forças de controle. Assim, passei a me dedicar ao estudo sobre o maravilhoso mundo dos celtas, tentando dar fruição a minha intuição e a tudo de bom que poderia ser feito, em benefício próprio e coletivo, com meus “poderes”.


Pois se dons nos são concedidos, assim o são para servir a um propósito muito maior, um propósito divino que respeita todos os seres da mesma maneira, que leva em com a alteridade e que procura a cada passo instituir o Amor Universal e Incondicional. Como terapeuta e trabalhando com Terapia de Vidas Passadas, conduzida pelos meus Mestres Ascensos eu havia feito uma auto-regressão e encontrado a minha essência mais forte: Menerween... a bruxa. Me propus então a fazer um diário, onde registraria todas estas “viagens”.

Bjos no Coração

Namastê!

Saviitri Ananda - CRTH0230







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