• Saviitri Ananda

VENTO VENTANIA - AR


Hoje é dia de VENTO e o elemento é o AR. O vento é o ar em movimento, e o Ar á Mente, que como o Ar não pode ser vista. Apesar de não poder ser vista, a sua presença pode ser sentida e seu poder , experimentado. Num momento o poder do Ar pode ser observado vendo-o passar pelas árvores, movimentando suas folhas, derrubando frutas, espalhando sementes, movimentando as águas nos oceanos, nos furacões, nas brisas; aparece comumente como instrumento da força divina: dá vida, castiga, é mensageiro, dá coragem, ensina, etc.

O vento devido a sua natureza agitada é também um símbolo de vaidade, instabilidade e de inconstância; na mitologia é uma força que pertence aos Titãs, por representar sua violência e cegueira. Todavia temos também o Vento simbolizando o sopro e o influxo espiritual de origem celeste, o espírito divino. O vento é considerado mensageiro divino e por vezes até representante do próprio Espírito de Deus.


No hinduísmo, Vayu é o sopro cósmico e o Verbo, o soberano do domínio sutil, intermediário entre o Céu e a Terra. Os quatro ventos, dentro da sabedoria ancestral foram relacionados às estações, aos elementos, aos temperamentos. Na Pérsia antiga, acreditava-se que o vento era o suporte do mundo e regulador dos equilíbrios cósmico e morais e pelas tradições islâmicas Deus criou o vento e lhe deu inúmeras asas, “ordenou-lhe que carregasse a água, o que ele fez”. E nas tradições bíblicas o Vento representa o sopro de Deus ordenando o caos primitivo e animando o primeiro homem. Para os gregos representava divindades turbulentas e inquietas, contidas nas profundas cavernas das Ilhas Eólias.

Nos ensinamentos ancestrais, diz-se que nosso planeta é protegido pelos Quatro Ventos que envolvem e circulam o planeta em movimentos espirais ascendentes e descendentes que são afetados pela energia solar e lunar. Um campo de energias eletromagnéticas que atuam sobre a Terra. E dentro da sabedoria de nossos ancestrais eles representam fortes poderes, inerentes aos quatro pontos cardeais; poderes espirituais que afetam todas as criaturas vivas na Terra, especialmente os humanos, assim como a atmosfera e o meio ambiente.


Recordando: “Os quatro elementos - água, terra , fogo e ar - são uma referência em várias obras de expressão literária, plástica e filosófica. Os antigos filósofos da natureza acreditavam que esses eram os elementos básicos na constituição de matéria. A origem da teoria dos quatro elementos, ao menos no ocidente, está na Grécia, entre os filósofos pré-socráticos. Entre eles, a origem da matéria era atribuída a um elemento diferente: fogo ou água.”


No entanto, é provável que essa discussão tenha vindo do Oriente, onde encontramos, na China, a Teoria dos Cinco Elementos. Estes são estados de mutação da matéria-energia e compõe o Universo inteiro que é formado a partir de partículas materiais no atuar desses elementos. Todas as coisas visíveis e invisíveis originam-se somente a partir de uma fonte de vida e é por isso que o reconhecimento das quatro faces da unidade, de onde surgem os elementos, possibilita ao homem desenvolver sua consciência espiritual e tornar-se ciente que é parte integrante deste Todo.


Cada um dos quatro elementos é inerentemente neutro e não é nem bom nem ruim; somos nós quem imprimimos à atuação dos elementos um caráter, contudo, para não nos prendermos em teorias, ainda que o correto conhecimento é também importante para o desenvolvimento espiritual do homem. Geralmente conhecemos esses elementos (fogo, água, ar, e terra), como formas manifestas e suas manifestações da seguinte forma: o elemento da água possui propriedades magnéticas, nutre e sustenta. O elemento do fogo possui propriedades elétricas e criativas.



O ar é o elemento separado que possibilita a co existência de dois dos principais elementos: o fogo e a água. O elemento terra é o amálgama que une fogo, água e ar que, em diferentes proporções, torna possível a formação dos materiais com diferentes propriedades. Observemos como as raízes de uma árvore absorvem água e minerais necessários ao seu crescimento (elementos água e terra). A árvore respira através de suas folhas (elemento ar) e recebe luz e calor dos raios de sol (elemento fogo). Se atearmos fogo em uma árvore, os elementos serão liberados da madeira: a água evaporará; a luz, que por muitos longos anos brilhou sobre aquela árvore, queimará em uma chama poderosa; o oxigênio que a árvore vinha “expirando” possibilitará que este processo de queima de energia e nutrientes transforme o solo em cinzas, que novamente servirão como uma fonte de minerais para outras formas de vida.

Nosso organismo humano também contém os quatro elementos e o desequilíbrio destes elementos em nossos corpos provoca doenças, especialmente ao abusarmos da energia destes elementos ou ao obstruí-los. Na Ayurveda o tratamento desses desequilíbrios é feito através da análise do Dosha ( Pita, Kappa, Vata) da pessoa, ou seja, a partir da porcentagem desses elementos em seu corpo e o objetivo não é tentar sustentar esta harmonia no nível material (apenas no físico), mas no espiritual, porque o que vemos por fora é sempre somente uma manifestação do espiritual. Os elementos que formam o mundo material estão também inseridos no caráter da pessoa e dependendo de qual elemento predomine nela, pode ter uma natureza colérica, sanguínea, melancólica ou fleumática ( teoria de Hipócrates).

Cada uma destas naturezas é importante, porque nos possibilita “ver a matéria” a partir de todos os lados (Quântica), e considerar todos estes aspectos no caminho da nossa evolução. Toda a natureza humana é uma mistura dos quatro elementos em várias proporções e a interação dos dois principais elementos podem também ser encontrada na união do masculino com o feminino, onde o homem, através da sua natureza, contribui com o relacionamento com as forças criativas do fogo, enquanto a mulher contribui com as forças de sustentação do elemento água, formando a fundação necessária para a operação ativa do homem.

Vamos voltar ao Vento, ao elemento AR. O elemento Ar na classificação de Hipócrates é o que caracteriza o tipo sanguíneo; eleva o ser humano além do mineral e do vegetal, recordando-nos que a terra é tão mais fértil, quanto mais arejada pelos ventos que nela circulam e se constitui no elo de ligação entre os mundos visível e invisível. No homem, implementa o movimento de renovação, pois é no processo de respiração que o oxigênio é transportado, sendo essencial à sobrevivência e reprodução das células. Na realidade só podemos criar, quando nos libertamos do velho e já estabelecido, para aceitar as novas formas de pensar, ser e estar. Por isso que o Yoga e muitas outras técnicas de meditação, primam pela boa respiração, porque quanto mais renovado o AR, maior a capacidade funcional no plano mental (ideias, criatividade, imaginação).

Todos temos uma livre escolha, e com a escolha a responsabilidade de decidirmos como utilizar a força dos elementos e quais qualidades desejamos desenvolver. Sempre temos traços negativos que ainda não foram transformados em nós e talvez por isso, ainda não estejamos bem em algumas áreas de nossa vida. Então, vamos sentir o Vento, vamos inspirar menos e expirar mais, porque assim estaremos nutrindo não apenas o nosso corpo físico, como “iluminando” o nosso Espírito.


Bjos no Coração Abraço na Alma

Namastê!

Saviitri Ananda - CRTH/BR0230


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