• Saviitri Ananda

VULNERABILIDADE



Os acontecimentos dessa semana me fizeram mergulhar em alguns conceitos que envolveram, num primeiro momento, a questão da fragilidade; uma característica que, aparentemente se torna sinônimo de vulnerabilidade. Minhas conversas com Kabban, o falecimento de uma amigo maravilhoso e jovem, a consciência da finitude, as questões familiares, a falta que ainda sinto de um colo, fizeram com que eu tivesse que encarar o meu lado frágil, um lado que eu acreditava não mais ter, pelos exercícios de autoconhecimento e autoajuda. Nesse processo todo de perda e aceitação, me vi fragilizada, vulnerável... meio sem chão e, descobri que essa sensação me rodeava e as vezes até pressionava, porque eu não me permiti vivenciar, sem armaduras, a afetividade. Em nome de uma decepção que gostaria de não sentir, barganhei sentimentos, carinhos, cuidados... numa atitude imatura.

Por experiência própria, coloco pra você: não tenha medo de sentir intensamente, não tenha receio de se doar afetivamente, porque a sensação de fragilidade só se alastra se nós temos medo de ousar ser feliz. Não há necessidade de nos defendermos de relações, sejam elas com quem forem; somos todos um, somos todos seres afetivos, necessitamos nos relacionar muito e da melhor forma possível. E a melhor forma que eu sinto, é aquela em que se respira fundo e se entrega. Devo admitir que estou me sentindo fragilizada, mas ao mesmo tempo, descobrindo forças de auxílio, que em nenhum outro momento descobriria, e todas elas correlacionados como o meu afetivo, com o meu sentir, com o meu transmutar.

Na verdade nossas emoções espreitam e atacam de surpresa; sejam elas nossas, ou das pessoas e seres próximos; fomos condicionados a precisar de alguém que nos ouça, que nos forneça um ombro amigo, um "colinho"... Não importa quais sejam e de quem sejam estas emoções, pois afetam a nossa vida e quando isso acontece, chega a hora de processar os nossos sentimentos. Compreender o que estamos sentindo e recuperar a energia drenada pelas emoções precisa ser um imperativo nestas ocasiões. Costumamos nos proteger quando as emoções que sentimos começam a se aprofundarem e uma vez submersos na profundidade de nossos corações, muitos sentimentos difíceis começam a borbulhar e emergir em nossa mente e em nossa alma, fazendo com que nos sintamos fragilizados, vulneráveis, desprotegidos e ameaçados.

As emoções sugam a energia e monopolizam os pensamentos, impedindo-nos de aumentar nossa frequência vibracional; apenas quando nos dispomos a dar amor e a atenção de que nosso corpo emocional precisa é que nos libertamos do nosso stress emocional. Fluindo desse modo com nossas emoções, podemos transformar e recuperar as energias que elas consomem; reciclamo-nos e aproveitamos para nos reabastecer. Diante dessas sensações, podemos reagir de duas maneiras diferentes: ou nos protegemos, lançamos mão de nossas armaduras e passamos a nos defender do outro, do relacionamento, do amor e/ou dor e das infinitas possibilidades de evolução; ou nos colocamos frágeis e nos permitimos aprender com o medo, com a insegurança, com o receio da traição, do abandono e da rejeição... Ou ainda, podemos crescer de fato, e nos tornarmos fortes para lidarmos com todas as questões presentes que os relacionamentos nos trazem.

Certa vez um Mestre me colocou uma imagem: "você se transformou numa serpente sibilante e peçonhenta e tudo o que quer é cravar os dentes na primeira coisa que cruzar o seu caminho"...me espantei...para dizer a verdade não acreditei que ele estava me dizendo aquilo. Quando já ia protestar, ele segurou as minhas mãos, me fez acompanha-lo num mantra e depois pediu que eu me recolhesse para descansar. Tentava me controlar, mas estava super preocupada com aquela imagem... Eu??? Euzinha??? Uma serpente??? A senhora docilidade? Respirei fundo e pedi muita Luz. Descobri que mesmo adulta, eu ainda não sabia lidar com as minhas reações emocionais, que os reflexos vinham lá da minha infância e que eu tinha medo de ser tragada por eles... era hora do meu encontro com Lilith... de sondar as minhas profundezas.

Por isso, quando nos sentirmos vulneráveis, fragilizados, podemos meditar um pouquinho... ficar a sós com a gente mesmo e procurar transformas as atitudes que, quase sempre, por condicionamento, tomamos. Não vamos fingir que a situação não nos incomoda; a indiferença só engana a nós mesmos, pois neste mundo tudo é causa e efeito. Se eu ignorar a causa, o efeito vai persistir, É muito importante reagir: chore, grite, cante... reaja de alguma forma; e se alguém quiser saber o que está acontecendo diga: Estou me defendendo de mim mesma, estou sendo natural...isso está doendo e este é o meu modo de curtir a dor... não se assuste... logo passa.

Todos nós temos nossos pontos fracos, e mais cedo ou mais tarde tomamos consciência deles. Quanto nos sentirmos fragilizados, é importante olharmos pra o nosso corpo emocional...ele sempre nos comunica sobre o que precisa e podemos fazer estas concessões com carinho, boa vontade e amor por nós mesmo. Se seu corpo emocional precisa chorar, esbravejar, gritar, deixe que ele desabafe e depois abrace-o como o amor incondicional... vai se sentir pleno, e não mais vulnerável. São momentos em que se deve esquecer as palavras, os pensamentos e as intenções... porque tudo vai ser sentido. E por mais que tenhamos chorado e nos sentido deprimidos, saberemos que o "outro" nada tem a ver com o fato de querermos atrair a atenção como vítimas das contingências.

Somos frágeis, somos vulneráveis, mas podemos crescer, evoluir, desde que saibamos nos livrar dos condicionamentos e passarmos a transmutar estes sentimentos, partindo do princípio de que todos nós somos frágeis ou vulneráveis em algumas situações da vida. Vai doer? Vai sim, porque não é fácil encaramos as nossas deficiências. Depois de nos auto analisarmos com amor e calma, nos permitiremos ver quantos sentimentos desconhecidos temos dentro de nós mesmos, e pior, quantos deles não são tão dignos assim. Mas apenas está atitude de "nos olharmos profundamente", de reconhecer nossos medos e nossas fragilidades é que nos farão fortes e menos suscetíveis a vulnerabilidade do caminho.

No nosso mundo emocional, principalmente o lado dominado por Hécate estão todas as respostas das nossas atitudes e do porque nos fragilizarmos diante de determinadas situações. Tudo está intimamente relacionado com a história de nossas vidas, com o nosso passado, com nossas feridas... Com a sujeira que deixamos debaixo do tapete e que não queremos que ninguém descubra. Então, antes que alguém as descubra e que nossa autoestima baixe pelo medo de descobrirem-na, vamos lá, carências de lado e força para fazer aquela faxina. Se for difícil faxinar sozinho, peça socorro. Acolha-se e conte para outra pessoa, um amigão, um companheiro, um terapeuta..., exponha todos seus sentimentos mais profundos e, assuma a responsabilidade pelos seus próprios medos. Assim, demonstrando que somos frágeis, mas que lutamos para combater esta deficiência, assumindo que não somos onipotentes e que nos tornamos vulneráveis em algumas situações, as pessoas que nos querem bem vão sentir um desejo imenso de ficar ao nosso lado, e contribuíram com amor e afeto para que possamos ultrapassar os muros dos nossos medos.

Vulnerabilidade é mais um daqueles processos intrincados e multidimensionais que combina posturas, palavras, linguagem corporal e, principalmente, a capacidade de se ouvir. E como se isso não fosse o suficiente, quando nossas emoções se sobrepõem aos acontecimentos e os influenciam, há grandes chances de que os que estejam a nossa volta, só prestem atenção nelas, pelo que elas lhes evidenciam e interpretem a nossa atitude de forma errônea. Analise bem a fundo as tuas reações quando se trata de fragilidade e/ou vulnerabilidade, pois a menos que queira explodir emocionalmente, a maneira mais sensata é dar um tempo e investir no desenvolvimento de sua capacidade de observação interna.

Bjos no Coração

Namastê!

Saviitri Ananda - CRTH/BR0230


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